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O períneo e o parto

por | 07/07/2015

O assoalho pélvico é uma estrutura do corpo feminino que engloba a região da vagina, ânus e uretra e sustenta todos os órgãos da região abdominal, ou seja, desenvolve uma função super importante no nosso corpo. Durante a gestação e o parto essa importância é maximizada e por isso essa estrutura merece um olhar bastante cuidadoso.

Todas as mudanças trazidas pela gestação e pelo trabalho de parto – como o aumento de peso do abdômen, a passagem do bebê e, em alguns casos, intervenções como a episiotomia, o uso do fórceps e a manobra de Kristeller – podem ajudar a sobrecarregar a musculatura da região.

Essa sobrecarga não é algo exclusivo do assoalho pélvico, todos os músculos do corpo possuem uma tonicidade que ao longo da vida sofrem com a ação dos hormônios, peso e traumas. Assim, se não estiverem fortalecidos, esses músculos cedem. A diferença é que no caso da gestação essas mudanças acontecem num curto espaço de tempo o que aumenta as chances de traumas, trazendo prejuízos para a saúde da mulher: as chamadas disfunções do assoalho pélvico (DAPs).

Entre as mais famosas DAPs estão a incontinência urinária, a incontinência anal e o prolapso de órgãos internos, como a queda da bexiga. Mas, se trabalhado de forma adequada, o assoalho pélvico têm força e consegue sustentar as estruturas internas durante a gestação e o parto e se recuperar de forma saudável no pós-parto.

Uma musculatura fortalecida diminui em 42% as chances de desenvolver incontinência urinária, por exemplo, por isso, realizar os exercícios direcionados desde o início da gestação é muito importante na prevenção ou no tratamento, além de propiciar autoconhecimento e consciência corporal.

Vale destacar que a cesariana não deve ser indicada para prevenir as disfunções, o que previne são os exercícios. Além disso, o parto vaginal não é o vilão dos órgãos pélvicos ele só se torna um fator que predispõe às disfunções quando é instrumentalizado ou quando é feita a episiotomia, que é um procedimento agressivo para a musculatura, além de estar associado a maior dor na região perineal, fraqueza muscular, dor na relação sexual e infecção local.

Apesar de frequentes, as DAPs não podem ser encaradas como normais, pois trazem prejuízos para a qualidade de vida da mulher, por isso saber avaliar a força dessa musculatura, por meio do exame vaginal bidigital ou a perineometria, e orientar exercícios para fortalecê-la de forma correta se torna tão importante para a atuação do profissional de saúde. No caso da identificação de uma disfunção grave, a mulher deve ser encaminhada para um médico e/ou um fisioterapeuta especialista. Além disso, outra forma de prevenção é acompanhar o trabalho de parto de forma adequada e utilizar as intervenções de forma precisa e somente quando necessárias.

Karina Fernandes Trevisan, enfermeira obstetra, e Nathalie Leister, obstetriz. Dupla de parteiras responsável pela equipe  Commadre.

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