Camila e Cleber

Nascimento da Malu

Em janeiro recebemos a notícia que faria tudo mudar: descobri que estava grávida! Nada foi planejado, pelo contrário, estava iniciando meu tratamento para vencer a minha grande inimiga que tem me acompanhado e tirado minha razão de viver. Não sei ao certo quando a depressão chegou, mas sei que entre várias recaídas, no final de 2015 iniciei um tratamento diferente onde depositei toda a minha fé, portanto, nesse início, seria ótimo se não houvesse nenhuma grande mudança em minha vida, mas não era esse o plano de Deus.

Foi um início difícil para mim, eu nunca rejeitei essa criança, mas estava com muito medo de como seria gerar em um período de tanta fragilidade emocional, e foi exatamente isso que eu disse em pensamento para esse bebê.

Pode parecer meio louco, mas um dia o bebê me questionou em pensamento: – “você está me rejeitando???” Na mesma hora me arrepiei inteira e sabia que como mãe, precisava responder para ele, com toda a sinceridade e todo amor: -“não meu filho, a mamãe está com medo, apenas isso, mas fique tranquilo, tudo dará certo e já te amo muito”. Ali me senti mais segura – sem falar que estava sendo amparada por minha família e por ótimos profissionais.

Depois de tudo mais calmo, foi hora de pensar em como faríamos para receber o bebê. Como doula, e depois de estudar bastante sobre o assunto, em meu coração havia uma vontade grande sobre o parto domiciliar e o Cleber, meu companheiro, me apoiou e iniciamos nossa jornada. Encontramos nossa equipe (a equipe da Commadre) e enquanto isso Malu se desenvolvia lindamente, e tudo estava preparado para o grande momento.

Na madrugada do dia 09 de setembro o sono era grande, mas às 2h da manhã as contrações vieram. Fui pra sala, tentei anotar a frequência mas não estava conseguindo, as vezes pelo sono e outras pela dor, foi então que resolvi ir para o chuveiro. No caminho o Cleber acordou e já começou a controlar a frequência para mim, logo ele se sentiu inseguro e resolveu acionar a Gabi (nossa Doula e Obstetriz) . Às 4h ela já estava em nossa casa, mas quando chegou as contrações espaçaram. Em seguida a Carol e a Evelyn, as fotógrafas, chegaram. As 10h voltamos ao ritmo e a frequência das contrações aumentaram. A Thais e a Lú (Enfermeiras Obstétricas) estavam a caminho…. eu? Só queria saber do chuveiro, tão bom ficar lá (…).

Tudo que planejamos estava acontecendo, toda a equipe presente, Cleber, minha mãe e a Marcela também estavam ao meu lado, só faltava a mágica acontecer… será que estava perto??? Chegamos a pensar que sim e no início da tarde fomos pra piscina, e novamente as contrações espassaram. Almocei, tentei dormir, e conversando com as meninas disse que as contrações estavam super suportáveis, foi então que a Thais percebeu que alguma coisa estava “errada” e me ofereceu o toque. Eu estava esperando por esse momento, precisava saber em que pé estávamos. Foi aí que ganhei um banho de água fria: só 3 cm.

Voltamos para o chuveiro e por lá fiquei algumas horas. Toda hora alguém ia até lá, conversava comigo, escutava os batimentos da Malu, colocavam música (…). E eu só pedia pra Malu vir, estava ansiosa pra chegada dela, estava ansiosa para que tudo desse certo.

Por volta das 18h resolvi voltar para a piscina e, adivinhem, as contrações espaçaram!! Descobri que eu não estava preparada para essas “pausas” e isso me desestabilizou emocionalmente. Eu chorava e pedia pra Malu centralizar e vir pra mim, eu precisava sentir que era capaz de terminar, precisava parir minha filha, meu nascimento e todas as minhas dores…. e precisava, principalmente, perceber que era capaz, que meu corpo sabia fazer tudo acontecer. Eu precisava me sentir VIVA!

Hoje percebo que não conseguiria sentir tudo isso se fosse um trabalho de parto rápido. Eu precisava de intensidade e de todo esse desafio. E foi aí, por volta das 21h, que novamente a Thais me tocou e estava com 5 cm! As dores estavam fortes, desanimei novamente. Precisava vencer aquela dor, precisava do descontrole, precisava soltar meus bichos e sentir meu lado selvagem. Esse foi meu último desafio.

Já na madrugada de sábado, as dores estavam insuportáveis e me ofereceram ir para o chuveiro, levantei e minha bolsa estourou. Ao tentar ligar o chuveiro percebi que estava queimado, dei um super grito (hoje é engraçado quando lembramos desse grito, rsrs) e o Cleber já foi pegar o chuveiro reserva…. foi aí que houve o descontrole, gritei e achei que não iria conseguir, desacreditei que seria capaz, pedia para tirarem aquela menina de dentro de mim!! E foi ai que a Lú me trouxe para a realidade e pediu pra fazer o que era necessário: – RESPIRA!

Fomos para a banqueta de parto na sala e, com meus gritos, a Marcela acordou. Todos estavam em minha volta, eu gritava, me concentrava e fazia força. Foi aí que a equipe, minha família e especialmente EU, vimos que eu era capaz de parir minha filha!! Eu fui capaz e às 3h18 da madrugada de sábado eu renasci, eu venci meus medos, me senti poderosa… sensações que nunca senti, sensações que nunca esquecerei. Nossa princesa com 4,010 kg estava em meus braços!

Sobre o parto humanizado? Nunca me senti tão especial, segura, amada, acarinhada, motivada…. esses profissionais são verdadeiros anjos, essas mulheres são guerreiras, a força feminina é incrível, portanto, só tenho a agradecer por viver esse milagre: gratidão eterna.

Tenho que agradecer a Deus e Nossa Senhora, pois sei que eles estavam ao meu lado o tempo todo e me permitiram passar por essa emoção. Agradecer ao meu marido que foi parceiro do início ao fim, esteve ao meu lado em todas as consultas, exames, cursos, me incentivou de diversas formas, e me apoiou do seu jeito, em todo o trabalho de parto (ouvir ele me chamar de guerreira foi muito especial). Agradecer também a minha Mãe, que me apoiou, se informou, venceu seus medos, rezou, esteve ao meu lado durante todos os momentos e quando eu ouvia ela dizer para a equipe que nunca pensou que eu fosse tão corajosa, isso me marcou demais. E, por último, mas muito especial, a presença da minha Marcela ao meu lado, ela foi incrivelmente especial ❤️. Nunca esquecerei do momento na piscina, onde ela pegou na minha mão e apertou bem forte: ali ela me passou uma energia incrível, uma força inexplicável!! Os beijos e abraços dela alimentaram minha alma de uma forma que ninguém poderia fazer. Minha princesa, obrigada por ser tão especial, sensível e encantadora, amo você!

Sobre a Malu… acreditei durante toda a gestação que ela me ajudaria a mudar minha história, e hoje tenho a certeza de que a chegada dela me proporcionou o início de uma mudança em minha vida que não tem explicação, só posso dizer que estou feliz, completa e realizada. Obrigada minha pequena, agora farei o possível e o impossível para lhe agradecer, para lhe retribuir…. amo você! ❤️