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3 formas de se preparar para o parto normal

por | 23/03/2022

Decidi compartilhar com vocês três dicas que considero essenciais para gestantes que desejam ter um parto normal. Vamos lá?

 

1. Informação

O ideal é começar a ler, estudar, conversar sobre parto antes mesmo de engravidar. – Ah, Thais, ninguém se preocupa com isso antes do tempo. É verdade, pouca gente faz isso. Então vamos lá: engravidou?  Comece buscando um bom pré-natal com Parteira (Enfermeira Obstetra ou Obstetriz), seja no SUS ou em equipe privada. Leia informações de fontes seguras, faça cursos, participe de lives, sensibilize o(a) parceiro(a) para estar com você não apenas no parto, mas durante essa construção de informação. Se possível, faça com que a família “compre” a ideia junto. Isso porque parir no Brasil é uma luta e você precisará de aliados nessa batalha. E aqui família não precisa ser de sangue, são pessoas com quem você pode contar.

Uma boa dica para sensibilizar as pessoas é assistir ao filme O Renascimento do Parto, documentário brasileiro que fala da realidade do cenário obstétrico no País. Aliás, filme obrigatório, para todos!

Participar de cursos é importante, mas já adianto que não vale a pena fazer o curso da maternidade. Explico: no cursinho que eles oferecem (geralmente de um dia) é falado sobre o que acontece ali, de protocolo, como ocorre o fluxo dentro do hospital, ensinam a dar banho no bebê, trocar fralda, mas não conscientizam sobre o parto normal, não empoderam, não incentivam. Quer fazer um curso? Faça o Parto sem Neura ou busque um de uma equipe humanizada, de uma Doula (…). Bons cursos de preparação para o parto trazem um panorama geral de informações baseadas em evidências científicas, independente de onde você vai parir. Vale muito a pena!

 

2. Preparo do corpo

Parece loucura, mas quando engravidamos nosso corpo já começa a se preparar para o parto. O fato é que ele é sábio e entende perfeitamente o que precisa ser feito. Mas manter um corpo ativo e saudável vai trazer benefícios e dar uma forcinha nesse processo. Por exemplo, se eu tenho um ganho de peso exagerado na gestação posso aumentar as chances de desenvolver diabetes gestacional, hipertensão, ou de o meu bebê crescer muito e impossibilitar o parto normal.

Por outro lado, se eu trabalhar o assoalho pélvico na gestação, terei mais consciência corporal no parto, aumento minhas chances de ter um trabalho de parto mais fluído, ajudo a prevenir incontinência urinária e lacerações no parto, fortaleço musculatura, trago maior consciência no expulsivo. Além disso, algumas condições, como Vaginismo, podem ser melhoradas antes do parto com acompanhamento profissional adequado.

Se eu praticar alguma atividade física, fazer spining babies, consigo ter mais disposição no trabalho de parto, mais consciência corporal e posso ajudar o bebê a fazer o giro na pelve que é necessário para o nascimento.

Apesar de serem ótimas atividades, você não precisa fazer Yoga ou hidroginástica, pode manter a atividade física que já fazia, desde que com algumas adaptações para um corpo grávido. Além disso, o treino com epi-no pode ser benéfico para algumas mulheres pois ajuda a simular o expulsivo no parto.

O fato é que você não precisa de nada disso para parir, mas você pode melhorar a sua experiência de parto com algumas dessas ações.

 

 

3. Preparo da mente

Precisamos voltar a entender o parto como um processo natural, como algo que pode ser transformador na vida não só da mulher, mas de toda a família. Fomos ensinados a ver o nascer como sofrimento mas a verdade é que a dor existe, mas o sofrimento não precisa existir. Aliás, ele NÃO DEVE existir. O sofrimento é uma dor emocional: ele vem quando me sinto vítima e não protagonista, quando sou submetida a processos intervencionistas que me CAUSAM dor.

 

O que não deve existir no parto:

Sofrimento! O sofrimento está relacionado a traumas, sensação de abandono, violência obstétrica.

O que esperar do parto:

Dor! Contração, dor nas costas, no baixo ventre, secreções de todos os tipos, choro, momentos de cansaço, intensidade.

 

Nossa luta é para que as mulheres tenham no parto apenas a dor do parto. Nada além disso.

 

E um último recado para você me leu até aqui: não deixe de viver essa experiência por medo da dor! A cultura que estamos inseridos nos diz que parir é ruim. “Pra quê passar por isso? A medicina evoluiu, temos tantos artifícios (cesárea, anestesia)…”. Quem nunca ouviu isso?  A sociedade cada dia mais nos impulsiona a nos desligar do sentir. Deixamos de ter paciência para as coisas da vida, paciência para contemplar o tempo das coisas acontecerem. Nossa cultura é imediatista. A ansiedade virá e caberá a nós aprendermos a lidar com ela e com a imprevisibilidade da vida.

O que está sob o nosso controle na gestação é como podemos nos preparar para aguardar o tempo, como podemos aprender a lidar com a ansiedade, com os nossos medos. Lembre-se: o melhor que fazemos pelos nossos filhos é nos curar para imprimir bons seres para esse mundo.

 

Texto: Thais Bernardo, Enfermeira Obstetra e Parteira da Commadre

Foto: Flávia Jacob

 

 

 

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