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Parto com respeito

por | 20/08/2019

“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer”. A frase, de autoria do cientista e Obstetra francês Michel Odent é um alerta para olharmos com mais carinho para a forma com que estamos recebendo os nossos bebês no mundo. Independente da via em que o parto aconteça (parto normal ou cesárea) precisamos olhar com respeito para a família (para seus desejos e suas escolhas) e para o ambiente que acolherá esse bebê em seus primeiros minutos de vida.

O primeiro ponto a ser cuidado pela equipe que atende ao parto é o olhar para a mulher: ela está acolhida em sua dor? Está amparada? Será que ela sente fome, frio, sede? Será que quer receber uma massagem ou ouvir algumas palavras de incentivo? Dormir um pouco pode lhe dar um pouco mais de energia? E o pai da criança? Vale lembrar que a presença do pai (ou de um acompanhante à escolha da mulher) na sala de parto é lei no Brasil.

Lei do acompanhante

A Lei Federal nº 11.108, de 07 de abril de 2005, determina que os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada, são obrigados a permitir à gestante o direito a acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto. A Lei determina que este acompanhante seja indicado pela gestante, podendo ser o pai do bebê, o parceiro atual, a mãe, um(a) amigo(a), ou outra pessoa de sua escolha.

A Lei do Acompanhante é válida para parto normal ou cesariana e a presença do(a) acompanhante (inclusive se este for adolescente) não pode ser impedida pelo hospital ou por qualquer membro da equipe de saúde – nem deve ser exigido que ele tenha participado de nenhum curso. Caso esses direitos não sejam respeitados, a denúncia deve ser feita à Ouvidoria do Ministério da Saúde através do telefone 136.

Além de ter seu direito respeitado, é importante que a equipe olhe para o pai com o mesmo respeito que olha para a mulher, afinal, ele também é parte importante no processo. Ouvir suas dores e seus medos, ainda durante o pré-natal, pode ser de grande valia. A participação do casal em um Curso de Preparação para o Parto, de preferência que tenha foco no parto normal, pode ajudar bastante a compreender a fisiologia do parto e a se sentirem mais seguro durante o parto.

Ambiente preparado

Pequenas ações como manter as luzes da sala mais baixas e o ambiente aquecido podem fazer uma grande diferença para ajudar o bebê a sentir menos o impacto durante a passagem da vida uterina para o meio externo. Também é importante que seja garantido o contato pele a pele da mãe com o bebê, e que seja incentivada a amamentação na primeira hora de vida (independente da via de parto) – estudos mostram que a amamentação na primeira hora de vida traz ganhos enormes para a saúde da criança a longo prazo.

A equipe pode ainda colocar uma música (se a gestante quiser) e manter o máximo de silêncio na sala, respeitando assim aquela mãe e aquele bebê que estão prestes a se conhecerem, promovendo um encontro respeitoso e amoroso.

Foto: Bia Takata Fotografia

 

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