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Por quê a mulher precisa se desligar do mundo para que o parto aconteça?

por | 03/05/2021

Que evento é esse, onde muitas vezes o que falamos para as mulheres é que ela precisa se permitir, se entregar ao processo para que tudo flua? E o que é essa entrega? Por que a gente fala isso?

Quando se estuda a fisiologia, se entende que o parto acontece por meio da regulação hormonal, presença de neurotransmissores e pelo equilíbrio do sistema nervoso autônomo (SNA).

É o SNA que regula as respostas involuntárias do organismo, sendo responsável no controle de diversas funções vitais como: frequência cardíaca, contratilidade cardíaca, tônus da musculatura lisa, regulação da pressão arterial, secreções exócrinas e endócrinas, metabolismo intermediário, peristaltismo, frequência urinária, constrição/dilatação pupilar, salivação e pieloereção. O SNA se divide em Parassimpático (SNAP) que é quem regula as respostas de “repouso e digestão”; Simpático (SNAS) que regula resposta de “luta ou fuga”, toda vez que passamos por um estresse nosso corpo se prepara para lutar ou para fugir (coração acelera, pupilas se dilatam, começamos a suar) e o Entérico (SNE) que regula os plexos nervosos intrínsecos do trato gastro intestinal (considerado como um segundo cérebro).

O SNAS é, de fato, responsável pelas contrações uterinas, enquanto o sistema parassimpático regula a distensão do segmento inferior do útero e do colo do útero. Quando os dois sistemas não trabalham em harmonia, há um risco aumentado de contrações espásticas sem dilatação, de distócia entre corpo e o colo do útero e de hipotonia uterina (não há contração) e a dor é improdutiva (muita dor sem dilatação efetiva).

O que faz os dois sistemas não trabalharem em equilíbrio? A falta de entrega da mulher (o não abandono do ambiente onde se está), a falta de um espaço calmo, muita luz, muito movimento e muito estresse. Então o que nós, profissionais do parto, precisarmos ter em mente? Que proporcionar um ambiente calmo e tranquilo, onde a mulher se sinta à vontade para ir se entregando ao processo vai fazer diferença para o evoluir do parto, para o alívio da dor. Quando há essa entrega, confiança, e a sensação de estar segura, a mulher consegue ir na função plena do SNA e seus músculos param de reagir aos comandos. O SNAS consegue então evoluir para que as contrações atuem na sua plenitude e o SNAP promova a dilatação adequado do colo.

Se entregar e deixar o SNAS e SNAP executarem suas funções é essencial para a evolução do parto. É um processo de abandonar as conexões presentes no ambiente para que haja a regulação necessária e todo o processo aconteça. Por isso o ambiente conturbado, luzes fortes, vozes e locais movimentados podem fazer com que o SNAS atue no sistema de fuga e luta e atrapalhe o TP. Além disso, sabe-se que a ocitocina, por ser também um neurotransmissor, ajuda a acionar o SNAP que é o estado de repouso do organismo. É um momento de entrega total e real para que o processo visceral do organismo atue de forma plena. Ao contrário do que se pensa, a ocitocina endógena pode atuar também como neuromodulador, tudo vai depender muito da regulação do SNAP e SNAS, porque vai ajudar no aumento do limiar da dor.

Então, se você estiver pronta para acompanhar uma mulher nessa jornada que é o trabalho de parto e parto, lembre-se que ela se sentir segura, em um ambiente calmo, vai fazer a diferença na sua assistência, no parto e na chegada desse bebê.

Texto: Karina Fernandes Trevisan, Parteira e idealizadora do Curso O Poder do Partejar

Foto: Cibele Barreto

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