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Principais mitos e dúvidas do parto domiciliar

O nascer em casa, apesar de estar se tornando mais comum nos últimos anos aqui no Brasil, ainda gera muitas dúvidas quanto à segurança, aos cuidados com a mulher e o bebê e ao que é necessário ter em casa para viabilizar o parto. Por conta disso, decidimos esclarecer alguns desses mitos aqui.

 

Parto em casa é seguro?

Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde recomenda que o local do parto seja de escolha da mulher. As evidências científicas referem que o parto domiciliar planejado incorre no mesmo risco de morbimortalidade materna e neonatal que o parto normal hospitalar.

É evidência científica também que os partos acompanhados em casa possuem menos intervenções, menor índice de cesariana, analgesia, epsiotomia e qualquer outra intervenção. O parto normal é considerado seguro para a mulher que tem uma gestação de baixo risco, porém é importante a ciência de que os atendimentos das urgências podem ser comprometidos caso a mulher esteja fora do hospital (Up To Date, 2016). Há aumento no risco de complicações graves quando, no caso de uma emergência materna, ou do bebê, a distância do hospital, ou imprevistos no trajeto postergarem o atendimento imediato, sendo necessário que a família esteja ciente desse risco.

Dito isso, para ser considerado seguro, é preciso que o parto em casa seja bem planejado e acompanhado por uma equipe experiente que, juntamente com a família, irá definir o profissional médico que será acionado em caso de uma emergência e para qual hospital mais próximo será feita a transferência se essa for necessária.

 

Parto domiciliar é legal no Brasil? Quem pode atender?

No Brasil não existe em uma legislação que rege o parto domiciliar, o que temos são os conselhos. O Conselho Federal de Medicina e os Conselhos Regionais de medicina não aconselham o parto em casa, diferente do Conselho Nacional de Enfermagem que diz que a enfermeira e a obstetriz são capacitadas para o atendimento, desde que tenha conhecimento de ações de emergência, caso seja necessário. Portanto, as Enfermeiras e Obstetrizes agem de acordo com a sua função ao atender parto em casa e, a maioria delas, contam com médicos parceiros do atendimento, que ficam de back-up para o caso de uma transferência hospitalar ser necessária.

 

Parto em casa é pra quem?

Para que o parto possa acontecer em casa, é necessário que a mulher tenha uma gestação de baixo risco, ou seja, ela não pode ter nenhuma patologia e nem desenvolver nenhuma doença durante a gravidez. Gostamos de dizer que receber um bebê em casa não é para todo mundo, mas apenas para as pessoas que se sentem seguras com isso. Portanto, ter uma gestação de risco habitual não torna uma mulher apta a ter um parto em casa.

O ambiente hospitalar traz uma falsa segurança de que está tudo sobre controle e de que sempre vai dar tudo certo. Já no parto domiciliar, algumas pessoas tem a sensação de que está faltando algo, de que não está dando a melhor assistência ao bebê, o que mostra que esse casal não está pronto para ter um parto em casa. Para parir em casa é preciso sentir que aquele é o melhor ambiente possível para o parto acontecer, a família precisa se sentir à vontade, sentir confiança na equipe que está atendendo e ter certeza de que, se algo sair do planejado, a equipe fará o que for preciso para manter mãe e bebê em segurança.

 

Por quê parir em casa?

Além das evidências científicas mostrarem que partos acompanhados em casa possuem menos intervenções, menor índice de cesariana, analgesia , epsiotomia e qualquer outra intervenção, citamos mais alguns benefícios da escolha:

– Poder decidir quem vai estar no parto: no hospital só entra o acompanhante e a doula (ou, em alguns casos, apenas um dos dois); Em casa, os filhos mais velhos podem estar presentes, a mãe, a madrinha… enfim, quem a mulher escolher.

– Poder ter uma equipe de foto registrando (alguns hospitais permitem, outros não).

– Escolher o local da casa onde quer parir e a posição mais confortável (em alguns hospitais o parto na água, por exemplo, não é permitido).

– O bebê nasce no ambiente em que viverá depois, com todas as bactérias com as quais ele terá contato na vida, o que é importante para reforçar o seu sistema imunológico.

– No pós-parto, a mulher pode tomar banho no seu chuveiro, deitar na sua cama, comer a comida muitas vezes preparada pela mãe ou pela sogra, receber as visitas que quiser, no momento que quiser, com a tranquilidade de estar em um ambiente seguro e íntimo.

 

 

Precisa esterilizar a casa para receber o bebê?

Não, é necessário fazer a faxina normal, aquela do dia a dia. Os animais de estimação são sempre bem-vindos, podem estar próximos e isso não vai interferir no parto.

 

O bebê precisa ir para o hospital depois do parto?

Não, o atendimento ao recém-nascido é feito pela equipe de parteiras ou pela pediatra (a critério da gestante/casal), seguindo as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria relativas à reanimação neonatal.

Após o nascimento e o contato pele a pele com a mãe, é feita a pesagem, a medição do bebê e o exame físico inicial. Em até 7 dias de vida é recomendado que seja agendada uma visita domiciliar ou em consultório com um pediatra neonatologista.

 

Precisa ter uma ambulância na porta da casa?

Caso seja necessária uma transferência para o hospital, o transporte acontece no carro da família (caso não seja urgência). Em caso de urgência, uma ambulância particular ou SAMU é acionado pela equipe.

 

Compilamos aqui as principais dúvidas que recebemos das famílias que atendemos. Se tiver outras questões, deixa pra gente aqui nos comentários. Será um prazer responder!

Um abraço e até breve

Equipe Commadre.

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